Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Todo o começo é involuntário
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.

A espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
"Que farei com eu esta espada?"
Ergueste-a e fez-se.

Fernando Pessoa

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

"Le Dessert de Gaufrettes" - Lubin Baugin

Tombeau "Les Regrets" - Monsieur de Sainte-Colombe

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Poeta pecaminoso,
poeta duvidoso,
caridoso
e invejoso
de uma vida não-Poética...

Poeta sonhador,
remador
ou velejador,
plantador e
agricultor
de naus-voadoras

baús de sonho
em que se vive
a prisão d´um Amor-Poema.


Francisco Canelas de Melo



Na Floresta (perdida)
do nosso Ser,
cresce vegetação abrupta,
cresce um desejo
inconstante
de te beber,

Águas cristalinas,
que espelham
a imensidão do nocturno
estrelar

Sede implacável,
incompreendida,
salgada
e doce,
de amarga
adstringência
que me adormece
a dor...


Francisco Canelas de Melo

A Poesia é morta...
O Poeta para além
do Poeta; o Homem
cativo,
aprisionado ao
tudo-Mundo.

Já não me sinto
Poeta,
místico,
ou profeta...

A Poesia é Voz
morta,
palavra apagada
num estado
pós-sonhado.

Angústia de invisível
tinta,
gritando em pena
afiada

Penetrante em papel-abismo
para além-vida,
além-sonho,
além Poeta-invisível!

Francisco Canelas de Melo

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Jean Baptiste de Lully - Acis et Galatée

Diário do Camiño - parte IV "Quero"

Quero escrever, e não me deixam
quero pensar, e não me deixam
quero..., mas o mundo não me deixa

Quero remar
numa barca sem remos,

Quero velejar
num navio sem velas,

Quero caminhar,
descalço,
(sem andar)
sentindo o trepidar
do Mundo.

Diário do Camiño - parte III "Porriño"

Terra das mulheres bonitas
onde olhos sensuais
devoram
o simples caminhar
de um peregrino

Há em tudo
forma,
um exotismo
quase erótico
que alimenta
a urbana mente

Na Floresta,
junto ao regato
caminha em Paz
o que vive
sem errância

No crepúsculo
diurno,
onde se ergue
o tal nocturno luar,
vive peregrino
sem destino
a caminhar...



Diário do Camiño - parte II

O dia ainda claro
esconde-se
e encobre-se
sob o horizonte

O cansaço já
é morto
e deposto
no romper
da Alvorada...



Dia da Lua, 27 de Julho de MMIX

Diário do Camiño - parte I

O Caminho nem sempre é fácil,
o Caminho é árduo,
sinuoso
e profundo

Hoje,
esta noite iniciarei mais uma demanda
em busca da minha verdadeira essência

Amanhã,
trilharei parte de mim,
o caminho é bruto,
e eu, Pobre Tolo,
cansado não estarei
em busca
de Destino,

Estou em Valença do Minho,
tenho o rio à minha fronte,
o Rio do Esquecimento.

Hoje,
caminharei nocturno
pelo rio do esquecimento,
esquecerei
e irei renascer

Não sei o que nascerei de novo,
se serei melhor,
se serei pior,
diferente, de certo, serei

Hoje,
irei sonhar,
(possivelmente acordado)
algo me espera,
algo me aguarda,
talvez uma passagem
por Tuí,
outrora Portuguesa.


Dia do Sol, 26 de Julho MMIX

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Jean Baptiste de Lully - Atys

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

14 de Agosto de 1385

Aos que caíram pela Pátria!


Terça-feira, Agosto 11, 2009

Restaurar Portugal

Quinta-feira, Julho 23, 2009

"A Vós que me tiveste amor,
não olhai para a vida que perdi,
mas para aquela que comecei."

Santo Agostinho

Sexta-feira, Julho 17, 2009

"Os historiadores desviaram-nos, talvez, mais do que os outros, obrigando-nos quase a aceitar, não a verdade, mas as suas verdades..."

Louis Charpentier

Terça-feira, Julho 07, 2009

"O poeta vive só,
livre, peremptório, claro,
em estreita unidade com o corpo:
barro plástico para o Todo-Poderoso
esculpir a alma e o espírito

O poeta avança sobre o caos e as trevas,
contraditório, puro, sábio,
a sua vida está envolta em beleza:
o lustre opalino do pescoço das pombas,
os amigos imprevistos,
uma família espalhada plo mundo,
o Sol, a Lua, os gatos e as árvores

O poeta embriaga-se com água,
hidromel, chá de menta, ou súbito perfume
E inspira-se no ar d´atmosfera sagrada:
relê, Moisés, Cristo Jesus e Muhammad"

António Barahona

Sábado, Junho 20, 2009

"Aprende dos filósofos a procurar as causas naturais em todos os acontecimentos extraordinários;
e quando faltarem as tais causas naturais recorre a Deus."

Conde de Gabalis

Quarta-feira, Junho 17, 2009

"A iniciação comporta 3 tipos: 1 - a conquista da consciência etérica, para devido contacto entre o astral e os sentidos; 2 - A sublimação dos sentidos, misticamente; 3 - O conhecimento das coisas divinas, ou do lado divino das coisas."

Fernando Pessoa

Sábado, Junho 13, 2009

"Substituamos as personalidades à personalidade. Que cada um seja muitos. Basta de ser para si a primeira pessoa do singular de qualquer pronome ou verbo. Sejamos a Pessoa Absoluta do plural incomensurável."

Fernando Pessoa

Terça-feira, Maio 19, 2009

Raymond Bernard


Raymond Bernard
19 de Maio de 1923 - 10 Janeiro de 2006


«Prefiro considerar a tomada de consciência pela cavalaria terrestre do seu estado de cavalaria celeste, mas o vosso ponto de partida exprime a mesma conjuntura de uma outra forma... Em todo o caso, esta união ou tomada de consciência, como preferirdes, é a aquisição do Graal, a participação na Ordem de Melquisedec. Neste nível, tudo fica consumado, e os múltiplos caminhos do conhecimento, mesmo os mais aparentemente opostos, reúnem-se. Todos conduzem a Melquisedec e ao mesmo Graal. Em última análise, o homem traz consigo todos os caminhos e aquele que ele escolhe é-lhe deixado à sua escolha e pode tomar o mais curto ou o mais longo, o mais sinuoso ou o mais directo. De qualquer forma, ele chegará ao fim, ou seja, ao fim de si mesmo, da sua tomada de consciência total, ao Graal. Ele é da Ordem de Melquisedec, mas deve sê-lo conscientemente. As suas viagens na vida não têm outro objectivo senão o de conduzi-lo a esse estádio final. (...)»

Encontro Secreto em Roma - Raymond Bernard


Domingo, Maio 17, 2009

Saudade - D. Francisco Manuel de Melo



Serei eu alguma hora tão ditoso,
Que os cabelos que amor laços fazia,
Por prémio de o esperar, veja algum dia
Soltos ao brando vento buliçoso?

Verei os olhos, donde o sol formoso
As portas da manhã mais cedo abria,
Mas, em chegando a vê-los, se partia
Ou cego, ou lisonjeiro, ou temeroso?

Verei a limpa testa, a quem a Aurora
Graça sempre pediu? E os brancos dentes,
Por quem trocará as pérolas que chora?

Mas que espero de ver dias contentes,
Se para pagar de gosto uma hora,
Não bastam mil idades diferentes?


Dom Francisco Manuel de Melo

Da Arrábida - Frei Agostinho da Cruz

Alta Serra deserta, donde vejo
As águas do Oceano duma banda,
E doutra já salgadas as do Tejo:

Aquela saüdade que me manda
Lágrimas derramar em toda a parte,
Que fará nesta saüdosa, e branda?

Daqui mais saüdoso o sol se parte;
Daqui muito mais claro, mais dourado,
Pelos montes, nascendo, se reparte.

Aqui sob-lo mar dependurado
Um penedo sobre outro me ameaça
Das importunas ondas solapado.

Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.

Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.

Eis por cima da rocha áspera descem
Os troncos meio secos encurvados,
Eis sobem os que neles enverdecem.

Os olhos meus dali dependurados,
Pergunto ao mar, às plantas, aos penedos
Como, quando, por quem foram criados?

Respondem-me em segredo mil segredos,
Cujas primeiras letras vou cortando
Nos pés doutros mais verdes arvoredos.

Assim com cousas mudas conversando,
Com mais quietação delas aprendo
Que outras que há, ensinar querem falando.

Se pelejo, se grito, se contendo
Com armas, com razão, com argumentos,
Elas só com calar ficam vencendo.

Ferido de tamanhos sentimentos
Fico fora de mim, fico corrido
De ver sobre que fiz meus fundamentos.

Ali me chamo cego, ali perdido,
Ali por tantos nomes me nomeio,
Quantos por culpas tenho merecido.

Ali gemo, e suspiro, ali pranteio;
Ali geme, e suspira, ali pranteia
O monte, e vai de meus suspiros cheio.

Ali me faz pasmar, ali me enleia
Quanto colhendo estou da saüdade,
Que por toda esta terra se semeia.

Ora me ponho a rir da vaïdade,
Ora triste a chorar com quanto estudo
Erros solicitei da mocidade.

Tudo se muda enfim, muda-se tudo,
Tudo vejo mudar cada momento:
Eu de mal em pior também me mudo.

Soía levantar meu pensamento
Assentado sobre estas penedias
Duras, eu duro mais nelas me assento.

Punha-me a ver correr as águas frias
Por cima de alvos seixos repartidas,
Que faziam tremer ervas sombrias.

As flores, que levava já colhidas,
Passando pelos vales enjeitava
Por outras doutra nova cor vestidas.

O livre passarinho, que voava,
Cantando para o céu deixando a terra,
Da terra para o céu me encaminhava.

Cuidei que se esquecesse nesta Serra
A dura imiga minha natureza;
Mas donde quer que vou lá me faz guerra.

Oh! quem vira naquela fortaleza
Rodeada de fogo de amor puro,
Daquele amor divino esta alma acesa!

Quão firme, e quão quieto, e quão seguro
No campo se pusera em desafio!
E quão brando sentira o ferro duro!

Mas se agora de mim me não confio,
Se fujo, se me escondo, se me temo,
É porque sinto fraco o peito frio.

Alevantam-se os mares; e pasmo, e tremo:
Vejo vento contrário, desfaleço,
A corrente das mãos me leva o remo.

Confesso minha culpa, bem conheço
Que por mais graves males que padeça
Menos padecerei do que mereço.

Mandais, Senhor, que busque, bata, e peça,
Eu busco, bato, e peço a vós, Senhor,
Sem haver cousa em mim que vos mereça.

Com os braços na Cruz, meu Redentor,
Abertos me esperai, co lado aberto,
Manifestos sinais do vosso amor.

Ah! quem chegasse um dia de mais perto
A ver cos olhos de alma essa ferida,
Que esse coração mostra descoberto!

Esse, que por salvar gente perdida
De tanta piedade quis usar,
Que deu nas suas mãos a própria vida.

A sangue nos quisestes resgatar
De tão cruel, e duro cativeiro,
Vendido fostes vós por nos comprar.

Padecestes por nós, manso Cordeiro,
Pisado, preso, e nu entre ladrões,
Ardendo o fogo posto no madeiro:
Arçam postos no fogo os corações.

Frei Agostinho da Cruz

Fernando Pessoa - “NOTA BIOGRÁFICA” DE 30 DE MARÇO DE 1935



Nome completo: Fernando António Nogueira Pessoa.

Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888.

Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e que foi Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.

Estado: Solteiro.

Profissão: A designação mais própria será «tradutor», a mais exacta a de «correspondente estrangeiro em casas comerciais». O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.

Morada: Rua Coelho da Rocha, 16, 1º. Dt.º, Lisboa. (Endereço postal - Caixa Postal 147, Lisboa).

Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.

Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: «35 Sonnets» (em inglês), 1918; «English Poems I-II» e «English Poems III» (em inglês também), 1922, e o livro «Mensagem», 1934, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poema». O folheto «O Interregno», publicado em 1928, e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.

Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberdade dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.

Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal.

Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: «Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação».

Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.

Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos –a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania”.

Lisboa, 30 de Março de 1935 [no original 1933, por aparente lapso]
Fernando Pessoa

In: O mistério da Boca-do-Inferno: o encontro entre o Poeta Fernando Pessoa e o Mago Aleister Crowley, Lisboa: Casa Fernando Pessoa, 1995 (retirado do site da Casa Fernando Pessoa)

As compras da Feira do Livro 2009

Ordens Militares - Guerra, Religião, Poder e Cultura, Actas dos III Congresso das Ordens Militares, Palmela, 1998, Colibri.

Sonetos e Elegias, Frei Agostinho da Cruz, Hiena, 1994.

Cândido, Voltaire, Guimarães Editores,1999.

À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais, Fernando Pessoa, Editorial Nova Ática.

Um Grande Português ou A Origem do Conto do Vigário, Fernando Pessoa, Editorial Nova Ática.

O Provincianismo Português, Fernando Pessoa, Editorial Nova Ática.

O Fenómeno Religioso e a Simbólica, Aarão de Lacerda, Guimarães Editores, 1998.

O Meu Livro Secreto, Francesco Petrarca, Planeta Editora, 2008.

A Vida de Dante, Giovanni Boccaccio, Planeta Editora, 2007.

A Regra Primitiva dos Cavaleiros Templários, Pinharanda Gomes, Hugin, 1999.

O Caso Clínico de Eça de Queiroz - Contributo para a sua Patobiografia, Irineu Cruz, Caminho, 2006.

Titânia - História Hermética em Três Religiões e um só Deus Verdadeiro com vistas a mais luz como Goethe queria, Mário Cesariny, Assírio & Alvim, 1994.

A Caminho de Santiago - Roteiro do Peregrino, Conde de Almada, Lello Editores, s/d.

Sábado, Maio 16, 2009

"Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados."

Livro do Desassossego - Bernardo Soares

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Em tempos sonhei-te,
Admirei-te,
Amei-te,

A vida infortuita
que do sonho se faz Vida,
vida vivida,
vida sofrida,
vida renascida,
que do sonho se faz Vida?

Oh Imortal,
Oh Intemporal
Mestre do Tempo

Velejas em mim,
em mar de lágrimas,
mar solitário,
obscuro,
recatado,
preso ao abismo do meu Sonho

Por que te vais, Ó Encoberto?

Se do sonho renasci,
se do sonho cresci,
se do sonho vivi,

Busco-me,
Procuro-me,
Navego-me,

Sou Marinheiro (s)em Mar
(de lágrimas)

Mar Salgado,
agridoce,
que teimas em navegar.


Francisco Canelas de Melo
A luz ténue
duma vela
cega-me
o olhar,

olho-me,
vejo-me,
observo-me,

ao som d´um espelho,

miro-me,
contemplo-me,
num Mar sem temp(l)o
onde a saudade aporta
no além-mar

no sonho do Argonauta.


Francisco Canelas de Melo
Screvo à luz das velas,
como eu adoro,

É máquina do Tempo,
é arte que esconde a Arte,

como eu adoro,
uma luz ténue
mas profunda
que dança ao som da música,
ao som da voz que clama
(como eu adoro)
que irrompe em meu Ser,

Chama que baila dolente
que harpejas o Amor d´uma Musa.



Francisco Canelas de Melo

A vida é mais curta do que pensas

O viver é curto
na hora da despedida

mas...
é imortal de sentimento

é a voz que ecoa dentro de nós,
é o "Fado" da Gamba

Voz Celestial

arte que esconde a Arte,
que esconde o símbolo,
alfabeto analfabeto,

é imortal de sentimento

é mortal comum
que sorri a cada instante

É o Pobre-Tolo.


Francisco Canelas de Melo

Sexta-feira, Abril 24, 2009

"Brevíssimo" Historial do Santo Condestável




No próximo domingo, dia 26 de Abril, haverá em Roma a Canonização do próximo Santo Português, irá ser conhecido como S. Nuno de Santa Maria, mas é conhecido desde a sua morte como Santo Condestável. É uma personagem essencial na história de Portugal, na dinastia de Bragança, a sua filha D. Beatriz casou com um filho do Rei de Portugal, Dom João I, e deram origem a Casa de Bragança, de onde descendem os Reis de Portugal e os Imperadores do Brasil. O D. Nuno Álvares Pereira era filho do Prior da Ordem do Hospital em Portugal e neto do Arcebispo de Braga, desde muito cedo viveu sobre os padrões da Cavalaria, professava a Fé, Esperança e Caridade, defendida os princípios Justiça, Prudência, Temperança e Fortaleza com afinco e vontade inquebrável. Foi armado Cavaleiro ainda muito novo, e vivia rodeado das lendas da Tavóla Redonda e da busca do Santo Graal. Foi obrigado pelo pai a casar, pois desejava manter-se Casto, tal como o herói Galahad (ou Galaaz). Quando em 1383 o rei de Castela invadiu Portugal, juntou-se em torno do Mestre da Ordem de São Bento de Aviz que era um dos irmãos do anterior Rei de Portugal, na defesa do Reino. Sempre teve fama de ser Justo, um verdadeiro defensor da Fé. Mais tarde, e após ter garantido a independência de Portugal em 1385, e ter participado na primeira viagem marítima portuguesa na conquista de Ceuta em 1415, dedica-se à construção do Convento do Carmo em Lisboa. Obra que ele prometera construir caso a batalha lhe fosse favorável. Com a morte da mulher e mais tarde da filha, sentindo que a sua missão de defesa do reino estava cumprida e como mais nada lhe apegava ao mundo material, largou tudo e ingressou na Ordem do Carmo, onde viveu em voto de pobreza total (nessa altura era o homem mais poderoso do Reino além do próprio Rei). O Povo sempre o acariciou e venerou já no final da sua vida como Santo. Quando morreu, no dia 1 de Novembro de 1431, não tinha mais que o hábito do seu corpo e pediu para ser sepultado no chão, em campa simples e sem qualquer honraria. No seu túmulo, construído posteriormente encontrava-se o seguinte epitáfio: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."



Nota: pequeno texto de apresentação do Santo Condestável a um Amigo da Abadia de Grottaferratta, Roma.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Les Pleurs de Monsieur de Sainte-Colombe

Ao Monsieur de Sainte-Colombe


O arco desliza
suave, melancólico,
dolente,

suave e forte,
mágico e (in)perfeito

as lágrimas
(es)correm,
mágicas
salgadas,
mergulham em nós...

Ouvintes do Passado
em Futuro dispersos,
incerto ao rumo
aprisionado ao som
d´um Fado,
de saudade (I)mortal
(Imtemporal Alma)

Ao som da Gamba
oiço o Uni Verso,
a Pátria Celeste,
o Centro do Todo-Mundo...

Aos Mestres
minha oração,
escrita ou poesia,
música ou paixão

Que imortal nota (intemporal)
vive em mim?


Francisco Canelas de Melo

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Rosa Mística

"Está aqui todo o mistério do amor. Se dois seres, amando-se, forem um só, harmonizando o que neles é contrário, serão como esta árvore e criarão vida e beleza. Darão a Deus uma cadeia mais e, noutras vidas, certamente voltarão a encontrar-se. E um dia estarão eternamente juntos e serão mais do que humanos, mais do que anjos, um dia serão Deus."

"Anjo Branco Anjo Negro" de António Quadros
"Tomem a minha vida como exemplo! Que fiz eu da rosa mística que encontrei e abandonei? Encontráça e perdê-la --, que significou realmente na ordem da eternidade? De grande mal poder-se-á extrair grande bem? é esta, leitor desconhecido, é esta a minha pergunta à esfinge, é esta a pergunta que faço com todo o meu ser, arriscando-o numa única cartada final, num único trunfo. De grande mal poder-se-á extrair grande bem? "


"Anjo Branco Anjo Negro"
de António Quadros

Non nobis...




Domingo, Abril 12, 2009


"O verdadeiro conhecimento baseia-se em tolerância verdadeira.

da tolerância verdadeira vem a compreensão plena, e a verdadeira compreensão dá nascimento à paz que ilumina e purifica."

Nicholas Roerich


Nosce te ipsum

"Conhece-te a ti mesmo"

Sábado, Março 28, 2009

Le Roi Soleil - Jean-Baptiste Lully

Quinta-feira, Março 26, 2009

Peças para cravo de Jean-Philippe Rameau

La Malade Imaginaire de Molière, música por Jean-Baptiste Lully

Sábado, Março 21, 2009

Opúsculo do Lug(ar) - Ensaio d´um Livro

Caros Amigos,

Aqui fica um "ensaio" de um opúsculo:






Quem sabe se um dia o ensaio passará a Livro...

Sexta-feira, Março 13, 2009

Sábado, Março 07, 2009

Esta Contínua Saudade

Esta contínua saudade
Que me afasta do que digo
E me deserta do amor
Tem uma voz e uma idade
Contra as quais eu não consigo
Mais força que a minha dor


Esta contínua e perigosa
Saudade que prende a mágoa
E enfraquece o entendimento
É uma fonte rigorosa
Onde eu bebo a angústia d´água
Que me assombra o pensamento


Mas para um tempo tão puro
Como é o de esperar
O sonho no olhar que trazes
É que eu no vento procuro
Todo o bem que posso dar
Em todo o mal que me fazes


Vasco de Lima Couto

Sexta-feira, Março 06, 2009



O POETA
é um asceta
que renuncia ao oiro do mundo
mas não aos frutos da terra


António Barahona
in Rizoma
A escrita é reflexo do estado d´Alma do Poeta ou reflexo da Sua Busca...


FCM
O poeta é Avatar
raramente se dando a conhecer
vital leitura descodificada


António Barahona
in Pátria Minha


"Entre o Oriente e o Ocidente, por estratégia teológica,
perseguia a via iniciática sem remover montanhas
apenas muride dissipado em trevas e trovas"


António Barahona
in Pátria Minha

Braveheart

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009



Há um tudo-mundo
além de ti,
além de mim,
de vós e nós,

Há um sorrir profundo
na sombra do mundo

Há luz intemporal
como farol do mundo

Onde na noite escura
revela o mistério,
o véu da vida.


Francisco Canelas de Melo
O Poeta anseia
libertação,
mas a sua condição
é para além
da vontade:

"Quem quer passar o Bojador,
Rem que passar além da dor." (FP)

O Poeta carrega
uma cruz em
seus dedos...

Imagina a longa
Caminhada da Vida
num simples verso,
é Homem sem o ser,
narrador da vida.


Francisco Canelas de Melo
Poeta é Ser
Caído, desgraçado
e maltratado,
é habitante do
beco escuro,
demónio da sarjeta,
que vive vivendo
sem morrer
a cada dia.

Francisco Canelas de Melo
A Voz do coração
geme de dor,

A dor explode em Amor,
transmuta-se em dor,

O Homem vive do Ar,
respirar profundo,
(insuflar do peito)

Tu, Homem grande
de coração profundo,
Ergue a tua vita
onde Amor é
mais que o Sonho,
É a Vida.


Francisco Canelas de Melo
Jaz vivo,
a dormir,
o Velho caído
da vida velhinha,
da vida sofrida...

É o fado do mundo,
d´um Português
quase-defunto
que renasce em
cada Ser.


Francisco Canelas de Melo
O Poeta caminha,
só, perdido, por
encontrar

É vagabundo
do Mundo

É Ser surreal
é a inexistência
no Ser

Onde uma voz clama
ao seu ouvido:

"A Sudez do Mundo!"


Poeta é incompreensão,
é interpretação mundana,
"rimatória" querida,

Poeta é a voz do
Verbo
transciptor d´Alto,
transmite a
ignorância, a
voz calada, silenciosa,
a voz Divina.


Francisco Canelas de Melo

Confutatis maledictis

O mundo,
a crise anunciada

Trevas profundas
onde reina o fel
sobre o mel da vida

ode ultrapassada
ao poeta decadente
a memória do morto
ressuscitado

a morte que vive
em vida que morre

Lacrimosa (Kv.) do Mundo

onde o sal
de tuas lágrimas

purifica a dor,
crise do submundo.


Francisco Canelas de Melo

A Inspiração

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009




Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."

Manuel Maria Barbosa du Bocage


Já Bocage não sou!... À cova escura

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!


Manuel Maria Barbosa du Bocage

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

As traduções são como as mulheres
as que são fiéis raramente são belas,
as que são belas raramente são fiéis.

Roy Campbel

Domingo, Fevereiro 08, 2009

ACEITA o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos -
Haja.

Alberto Caeiro

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Tabacaria de Fernando Pessoa por João Villaret

Dicionário Setúbalês-Português

Português, o Mirandês e agora temos a linguagem do novo milénio, o terceiro dialecto luso


O Setúbalês!

Um dialecto com potencialidades para se tornar numa Lingua Universal, ou seja, para lá do Pinhal Novo.


Dicionário Setúbalês-Português

· Sóce: Amigo/Senhor/Gajo

Ôôlha, q'é isse, pá sóce..? : Está enganado, Senhor
Hóme: Homem
Denpé: De pé

· Sermos – somos

Sêrrem - São
Érrem - Eram
Fôrrem - Foram
Virrem - Viram ou Vêem ou Vêm (dos verbos Ver, Vir e Virar)
Viérrem - Vieram

· Áùa, abrre já a boca toda: Isso não; ou: Assim não pode ser

· Que peix' é? - O que é que se passa?; ou O que é isso?

· Nha mãe: Minha mãe;

Áh, nha mãe: Ai, minha mãe
Á da nha mãe: Na casa da minha mãe; ou - Á casa da minha mãe;

· Ápá parriga ia-te pu grrel acima: Rapariga, quero fazer amor contigo

· Tá o calorr à patada: Está muito calor!

· Tá o calorr a môntes: Está muito calor!

· Desempacharr: Não atrapalhar/facilitar

· Enzole – anzol;

· Ínzol - anzol;

· D'ínzol - com anzol

· Arrepêze – arrependido

· Ganda espiga: grande confusão, grande bronca

· Ganda caldeirada - grande confusão, grande bronca

· Ápá, p'nherrinhe da catôa - Maneira de chamar careca a alguem

· Miga já passô a càminéte - Amigo já passou o autocarro

· Dá um jeitinhe, miga - Com licença

· Dá aí uma teca - Dá-me um bocado

· Amandar - eu amando, tu amandas, ele amanda, nós amandamos, vós amandais, eles amandam... sempre ouvi dizer assim mas não aparece no dicionário....
ex: Amanda a bola p'rá frrente.

· Virr' á corrida - quando alguém vem a correr

· Vai andand'mano! - Não me chateies

· Sóce, salga mas é isse : Esquece essa ideia

· Ápá, ganda vase da merrda! - Tens mau caracter.

· Carramel – Nome dado aos habitantes de Palmela

· Cagalête - Nome dado aos habitantes de Sesimbra

· Camone – Estrangeiro/Forasteiro

· Atrracarr de pôpa: Praticar sexo anal

· Picolho, Barron, *******, Panlêre, Pedre Prroença, etc... - Homosexual

· Vá pá ré, home - quando se pede a alguém para se chegar atrás e arranjar mais espaço

· Vai-te emborra chôq' que fazes a àgua negrra - Quando alguem é indesejado

· Cherra à Porrtucel - Cheira mal

· Feia(o) como ó batelão da Secil - Horrível / Gordo(a)

· Embarrcado: Trabalhador da Marinha Mercante

· Jgáde à viva - estar atento

· Tá garruaç - ta frio

· Tá aqui um ganda cachão: a coisa está a ficar agitada

· N' alevantes cachão: deixa-te estar quieto

· Ganda batajol: Uma pedra grande

· Tá ralasse - Está bom, está descansado

· Magalhas pó ganhas - Sou o ultimo a jogar/fazer - expressão pra jogar ao berlinde

· Apá Pintelhe – Miúdo

· Murraçarr- Orvalho, chuva miudinha

· Tá Bebd - Está Alcoolizado

· O Gaje é má rés - O Gajo é Ruim

· Levas um murre pús bêces q`até ficas a fazêrre dóminó pós dôs lades: Levas um murro na cara que até ficas esticado no chão

· Barraquêrre - Pessoa que arma confusão

· Ôôlha, na tarrda muito, tás aqui tás ali!: Vai-te embora.

· Já tás mazé a porr muita mante'ga do pão: Já estás a abusar

· Na asses má bogas c'ú lume tá frraque - (tem o mesmo significado de Abe já a boca ou Aua Sóce)

· Na t`arremes em enzole - não me chateies

· Jogarre aos bonecos- jogar aos matraquilhos.

· Deixarr a boca em chau - Ficar com os lábios rebentados por comer figos ainda mal maduros.

· Larrgar ferrado – envenenar

· Pérré - maré vazia

· Vidrrinhos - Tipo que usa óculos

· Serrem tantas cagente até nos enrolarmos todos - Eram tantas que não conseguimos fazer tudo.

· Bola de catechumbo- bola de futebol em couro

· Zéi o Marr tá Brrab - José, o mar está agitado

· Gasoline - embarcação de pesca

· Aparra-lapes - Apára-lápis (peixe usado para para farinhas e adubos

· Nã mexas no tempo q senão ainda chove: Não mexas que podes estragar



E como não podia deixar de ser os discursos que ficaram conhecidos:

· Eles errem trrinta agente erremos só vinte nóve más eu...
Eles darr darrem mas levarrem que se fartarrem.

· Tens más córrenes nessa cabeça q`uma saca de carracóis

· Orra ápá soçe deves andare és esquecide quand endavam ca lata de trrês bicos - É o que a malta mais velha diz aos 'novos ricos' com mania, a lata de 3 bicos era quando antigamente muita gente ia á sopa dos pobres e levavam normalmente uma lata grande de conserva.

· Algirra mete os putos na barraca que vai haverre mocada

· O que tu querrias erra um rabd` arraia plos enterrefolhos acima......
acho que não neceessita de tradução

· épa parriga ja deste comer aos passes é que eu fui ao medico da prosta na tive tempo

Apá parriga qué inse, hã? Que pêxe é?
Da prosefice ou da meia tona?
É masé da profundurra!!

· Iste agorra tá tude perrdide, atão na vês essas raparrigas cagorra só querrem é andarr com este e c'aquele e a tomarrem a 'pírrela' (pílula) ou o que é insse...!

· Boa nôte minhas senhorras e mês senhorres
há aqui um grrupo de soces que nã sã soices da Onião e tão assentados
É só pá avisarr os soces que nã são soices pa se alevantarrem, e os
soces que são soices pa se assentarrem.
(Aviso de um ex presidente da União Setubalense num dos muitos e famosos Bailes daquela instituição.):

Tradução
Boa Noite, minhas senhoras e meus senhores
há aqui um grupo de pessoas que não são socios da União e estão sentados
É só para avisar as pessoas que estão sentadas e não são sócios para se levantarem
E as pessoas que são sócias para se sentarem.

Mais uma pérrela sadina

Local : Caldeira , campismo selvagem em vésperas das festas de Troia

- Ai, ai, ai Arrenalde,.... ai Arrenalde,... ai Arrenalde......tirra, tirrra tirrrrrra , tiiiiiiiiirrrrrrrraaaaaaaaaaaa, tem grrãsinhe d`arreia.......


Fonte:
http://www.forumvfc.com/viewtopic.php?t=6876

Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

Feliz Natal

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Johannes Chrysostomus Wolfgang Gottlieb Mozart



Ao Grito Celestial
à Iniciática Música
Dedico a minha obra terrena (e quiçá, divina)

Johann Sebastian Bach



Ao Mestre do Cravo,
Sonhador de Teclas,
ao Poeta organista
dedico a minha Busca...
Poeta caído
do sonho
do mundo

Ser perdido
no mundo
dos Mundos

Pobre creança
acorrentado por tudo
pelo mundo

a vida escasseia,
a morte clama
a vida eterna,
que é
a guardada chama.

Francisco Canelas de Melo
O Livro aberto está...

W.A.Mozart - Don Giovanni

Ressoas fundo
o grito de morte
que vive o ultimo suspiro

gritas fundo
da cova escura
receias o mundo,
futuro do sonho
de ver mundo e fundo
sonho e tudo

Mestre oculto,
negro, cinzento, escuro
revelas tudo,
a sombra que é tudo
à luz do mundo.


Francisco Canelas de Melo

J.S.Bach - Thema Fugatum BWV 582

Na sombra do amor
sombra de luz
renasce um ser,
anjo caído,
acorrentado pelo mais pérfido
desejo
pelo mundo duro
pelo mundo surdo
e mundo que ignora o ser
errante
por ter
um sonho
de azul profundo.


Francisco Canelas de Melo

J.S.Bach - Passacaglia

A Johann Sebastian Bach

Já não screvo nada há muito tempo

A Saudade, aperta,
a fome devora-me,
sangro pela raiz
matriz do meu peito

alma chora ao som do Mestre

o Soar agudo
profundo
ressoa em mim

fonte de luz que és tu
na arte da fuga

renasce em mim
cada nota,
cada ser

Ser profundo
é erguer do escuro
a pedra oculta

é ser mago sem magia
poeta sem poesia

sangue que me cospes
que purgas meu corpo

de dor
de magia
e tristeza

arde poeta
na eterna sepultura,
cremado pelo calor
d´um amor

Foge negro escuro
a luz aproxima-se
arde e brilha

Som celestial
oiço-te e busco
a eterna voz, nota
corda
que um poeta tocou.

Francisco Canelas de Melo

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Grottaferrata

"Nada do que se mantém oculto deixará de ser revelado; nada do que é secreto deixará de ser conhecido."

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Saudação aos Quatro...

A Grande Ursa

É o Útero da Terra

A viagem à escuridão profunda,


O Salmão voa

Com Sabedoria p´las águas

Rumo à morte

Predestinada,


O Falcão paira,

Flutua

No imenso Mar

Suspenso,


E aquele Ser nocturno,

De focinho pontiagudo

Ergue as presas

Ao luar,

Nele corre o Fogo

Como lava escorrendo

Na ebulição

Do (Re)nascimento.


Francisco Canelas de Melo




Quinta-feira, Novembro 06, 2008

Santo Condestável


Que aureola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

Sperança consummada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!

Fernando Pessoa

Terça-feira, Novembro 04, 2008

I.
Jaz aqui morte
onde vive o morto
que é esperado,
desejado em si
p´lo Mundo

esperançoso
El Rei o encoberto



II.
A viagem d´Alma
pela barca de Caronte
ultrajo o fundo
mundo

onde Ares
Maléfico
devora tudo

Prometeu mais fogo
alumia ao mundo
fundo

onde reino castigo
espera adormecido



III.
Rápido como Mercúrio
em derradeira ebulição
no fundo ser

renasce novo,
completo
e um pouco mais
encoberto
e descoberto
no oráculo do mundo

Virgens, puras
onde enxofre arde
na penúria,
véu escarlate,
rubro,
denso e mudo

ascende aos céu
num fogo-carro

zEUs, EUs,
EU,
Imagens do sonho,
sono divino
de puritana ascese
onde Ego morre
e renasce,
Puro, Sensível
e Doce.


Francisco Canelas de Melo

Quinta-feira, Outubro 30, 2008

União

União

Palavra Sagrada entre o divino
e o profano,
entre o Alto e o baixo, semelhantes, próximos
e distantes.
O Homem separa-se da origem num rumo
sem fim
(Onde o infinito é somente o fim)
na busca do ser
enfrenta-se a si,
onde o medo é superado,
onde o ódio é ignorado,
onde o ego morre e renasce
o novo Homem,
comungado à origem e ao fim,
ao Alfa e Ómega,
À Existência Divina
por fim atingida.


Francisco Canelas de Melo

Terça-feira, Outubro 28, 2008

"Podemos convir desde já que a infelicidade actual do homem não é ignorar que existe uma Verdade, mas equivocar-se quanto à natureza dessa Verdade; (...) então, o que atormenta aqui neste plano a maioria dos homens é menos saber se há uma Verdade do que saber qual é essa Verdade."

Louis-Claude Saint-Martin
"A mais bela e profunda experiência é a sensação do mistério. Ela é semeadora de toda verdadeira ciência. O homem para quem essa emoção é estranha, que não mais pode se maravilhar e se sentir arrebatado de admiração, está praticamente morto."

Albert Einstein

Sábado, Setembro 27, 2008

A agonia
trespassa o coração
como um raio
fulminante, profundo
de uma lâmina
de dois gumes
onde o peso-justo
se entrega
às mãos
do executador,

o carrasco do amor...


Francisco Canelas de Melo

Segunda-feira, Setembro 22, 2008

"Tu és hoje o reflexo de ontem e o espelho de amanhã"

S.I.

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

O amor só se revela

Quando o perdemos

Ou quando não o temos

O amor não pode ser possuído

A voz do amor luta

Contra a solidão

Vive nas trevas

E nas trevas é o seu lugar

Pois só com a esperança de alcançar a luz

Existirá e sobreviverá o Amor…



Francisco Canelas de Melo

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Batalha de Aljubarrota




O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.

Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.

Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.


Fernando Pessoa

Terça-feira, Julho 29, 2008

Correm Valquírias
correm p´lo mundo
buscando heróis,
eternos caídos,
estes varredores do mundo
homens, simples homens
guardados pelo Deus,
por Agartha,
neste panteão de hidromel,
mulheres, contos e batalhas,
onde corre
o vinho místico de mel,
o fel diurno
e nocturno céu.


Francisco Canelas de Melo

Domingo, Julho 27, 2008

Nos Jardins D´Oriente
onde renasce
a cada dia
o suave aroma
do desejo,
o pobre marabu sonha...

Sonha com o Mundo,
com o volátil Éter da Vida,
o visível e intocável
o Sopro Divino.

Nas Strelas vê
quase futuro,
passado e presente,
este intemporal tempo
em que o Sonho do Mundo
se reflecte
nos esmaltado espelho
negro como o Céu
onde a cintilante Lux
descreve tudo.


Francisco Canelas de Melo

Domingo, Julho 06, 2008

Os Conjurados

Amanhã vai renascer o vosso verbo,
esta força de sonhar, de ser, de amar,
de um povo heróico, viril, mas não soberbo,
esta sede tão grande de cantar.

O passado e o futuro num instante,
que hoje seja, de novo, a nossa voz
que levou nas caravelas de um infante
a semente desta fé que vive em nós.

Contra o jugo do espanhol a nossa raça
que Deus quis, a Pátria é, o Rei comanda.
Esta recusa de beber pela mesma taça,
esta jangada de que somos a varanda.

E amanhã, uma vez mais, ao sol primeiro
brilhará de novo o porto Ocidental.
Portugueses, povo nobre e marinheiro:
Amanhã também se chama Portugal!


Fernando Tavares Rodrigues
in Talvez Amanhã
"...Ser poeta não é
uma ambição minha.
É a minha maneira
de estar sozinho..."

Fernando Pessoa

Sábado, Julho 05, 2008

Agradeço a Deus
a virtude
de me ter feito
imperfeito

sob ela talharei
meu caminho

gravarei meu sonho

e esculpirei
meus enganos

sou vivo e imperfeito
morto e quase perfeito!



Francisco Canelas de Melo
Ao Clube de Fumadores de Sheesha





Nas areias desertas
do sonho,
no céu estrelado
infinito mar,
fumo o universo,
fumo o mundo

Este cachimbo amigo
é meu confidente,
ouve o sonho
ouve o mundo

nós, pobres sonhadores,
sonhamos juntos
a vontade de viver,
morrer e renascer

ao som da água,
do borbulhar
profundo
screvo ao ópio,
ao sonho do mundo

fumo a neblina
o haxixe da vida,

sonho e acordo,
sem ópio ou absinto,

o céu strelado
no mar tranquilo
aguarda...
...o nascer d´um
novo dia.


Francisco Canelas de Melo

Terça-feira, Julho 01, 2008

Andar,

Cair,

Levantar,

Três verbos
que fazem a vida,

A vida caminha-se,
tropeça-se
e renasce-se...

A cada queda
a morte ergue o vivo,
a vida deita o morto.

A vida aprisiona
o homem
à gravidade do Mundo

O homem é pássaro
sem asas,
peixe sem barbatanas,

é o morto-Ser boiando,
ao som da corrente do fado
destinado,

cumpre-se a vida
a viver!


Francisco Canelas de Melo
Oh Nau Catrineta
veleja meu sonho,
aporta em meu peito,
desembarca em meu coração
o Sonho
de ver nascer Portugal.

Francisco Canelas de Melo
Guitarra,
Braço d´Homem

Guitarra,
Voz d´Alma

Guitarra,
Teu Amor é maior

Guitarra,
Canta dolente em mim

Canta
a dor, a morte
a nostalgia

Canta
passado inglório
deste longo caminho

Canta
via d´Amor

Canta
do alto
do Penedo do Sonho
onde o Homem ama,
chora e ri

Canta
Coimbrão
Canta,
chora,
ama
e ri

Canta
Amor,
a tua eterna sepultura,
a vontade de morrer
e renascer

Canta
o silêncio,
a voz d´oiro,
a paz e a ressurreição
do morto
que renasce...



Francisco Canelas de Melo



A strada da vida,
sinuosa
e esguia,
longa e ambígua

É o caminho
a percorrer.


Francisco Canelas de Melo

Domingo, Junho 22, 2008

Um jovem
ao Luar

Vai sonhando
perdido

Com um
Mundo Divino
à spera
de Revelar
a Beleza inocente
d´um chilrar
Menino
à Espera de
Cantar...


Francisco Canelas de Melo
Ao Poeta do Ganges, ao BulBul do Ocidente


I.

Há em tudo
semelhança
entre o
Ganges
e o Sado

Há imortal vida
nos povos
circundantes
Há sonho feliz
de morrer
sob a corrente,
Mágica,
que nos conduz
a vida Eterna.


II.

Sob a protecção do sonho,
o respirar que insufla a vida,
neste areal de desejo,
a Vida caminha
intemporal à vida,
irreal ao sonho

É como o desaguar
intravenal
desta água correndo em mim

É como o rochedo erguido,
esse velho e imortal barbudo
que sorri ao nascer do sol,
que beija as ondas do mar
com um amor indelével
que une as duas pátrias do sonho,
Índia e Portugal...


III.

Neste denso arvoredo
nascido da força Natura
rompendo a pedra-mãe
pendura-se
no rosto do Rochedo,

Este velho penedo,
guardião de mistérios,
ouve o vento
confessar-lhe um segredo

Ao Zéfiro dizes
que a Luz Aparecida
vem do fundo da Terra
da Pátria (re)nascida.


IV.

Na Serra do Sonho,
na Mata do Silêncio,
vive Solitário
o monge esquecido,

do alto ama a Vida
do baixo contempla o Mundo,

Ora ao Divino,
À Mátria de Tudo,

Corre sozinho sobre o Mar,
A Alma Perdida,
A Alma Renascida,
d´um Poeta a Cantar.


Francisco Canelas de Melo
Arrábida, Julho de MMVIII


Sou um Bardo,
Proclamo ao vento,
A Guerra, o Amor
E a Paz...

Relato as
Vozes dos Deuses,
Histórias
Dos Imortais
Heróis
De imutáveis Mitos
Gerados
No salão
D´Odin!


Francisco Canelas de Melo

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Isto

Isto
De julgarmos que somos sem sermos
E ficarmos vencidos
Nos ermos.

Isto
De recuarmos a Cristo
Com o sentimento humano
Dum ser profano.

Isto
De quedarmos confusos
Beijando as horas que rodopiam como fusos pelas ruas.

Isto
De pensarmos em mulheres todas nuas.

Isto
De meditar
De escrever
E de amar.

Tudo isto
È afinal viver
E sofrer
E matar aos poucos a centelha oferecida
Na despedida
Dum ventre que sangra.


António Barahona da Fonseca
in "Isto"

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Sou um rebento
do Amor,
nascido sob
o calor
d´um raio
de Primavera

Sou a seiva
correndo
pelo tronco
acima,

o fluxo da vida
radiando
da profundeza
do Mundo,

Projectando a
plenitude Divina
na reunião
do Céu e da Terra.


Francisco Canelas de Melo
Sou uma folha caída
pairando pelo ar,

Flutuo ao vento,
boiando sem destino
entregue ao meu fado,

Sou vítima da gravidade,
caío redonda
sobre o leito quente
no ameno outono,

Em gélido ventre,
aguardo,
que o calor
profundo
me leve a
renascer...


Francisco Canelas de Melo

Quinta-feira, Maio 08, 2008

Versos de Ouro de Pitágoras

Em primeiro lugar, presta aos Deuses Imortais o culto habitual estabelecido pela Lei.

Respeita o juramento e os nobres heróis. Honra os defuntos e pratica todos os rituais libertadores em sua memória.

Venera o teu pai, a tua mãe e os teus próximos.

Escolhe alguém entre os homens e faz com que o teu amigo seja aquele que há-de brilhar pela sua virtude. Cede aos seus suaves conselhos, inspira-te nele. Nunca lhe queiras mal por qualquer pequeno erro, se fores capaz disso, porque a fatalidade pode por vezes modificar a vontade dos homens.

Fica a saber que é assim. Por isso empenha-te em dominar isto:

Em primeiro lugar o teu apetite, em seguida o teu sono, e depois os vãos desejos dos sentidos e o fogo da cólera.

Nunca faças o mal, com outros ou sozinho.

Acima de tudo, atenta nisto:

Respeita-te a ti mesmo.

Sê justo nos teus actos e nas tuas palavras.

Não inicies nenhuma acção sem ter reflectido.

Lembra-te que a morte é para cada um de nós a lei inexorável.

Quanto aos bens terrenos, sabe ganhá-los ou perdê-los com o mesmo estado de espírito.

E quanto aos males que o destino traz com ele, suporta-os sem gemer pela parte que te toca, tenta suavizar as marcas no que for possível.

Sabe ainda que:

Muitas vezes, os maiores males são afastados dos sábios.

Muitos e variados discursos, vis ou virtuosos, vêm acordar os homens. Não os aceites apressadamente nem os rejeites de modo precipitado.

Se te mentirem, suporta-o com doçura.

Ouve o meu conselho e segue-o sem vacilar:

Que ninguém, pela palavra ou pelos actos, te leve a proceder contra a tua vontade.

Reflecte bem antes de te decidires; é próprio de um louco cometer loucuras, por isso nunca faças nada de que te venhas a arrepender.

Não pretendas fazer aquilo que não sabes.

Aprende sobretudo o que for necessário saber. Se seguires estes conselhos, felizes serão os teus dias.

A saúde exigirá todos os teus cuidados; que o teu corpo tenha o alimento que é preciso, e exercício adequado para não o enfraqueceres. O que quero dizer por adequado é o que não te prejudica.

Vive na simplicidade, modestamente e sem moleza, evita o que te pode rodear de desejos, e não te entregues a gastos loucos, como fazem muitas vezes os ignorantes do belo.

Mas também não caias na temível avareza.

Adopta em todas as coisas a justa medida.

Faz aquilo que não te prejudica e avalia antes de agir.

Sabe que, ao acordares, a coisa urgente é traçar o plano dos teus actos futuros.

À noite, que o sono não te domine antes da tua consciência ter avaliado longamente todos os actos efectuados por ti durante o dia.

Interroga-te: "cometi algum erro? Que fiz eu? Ou então, será que não fiz o que devia ter feito?"

Revê assim os teus actos a partir do primeiro.

Se fizeste o mal, sabe arrepender-te.

Se fizeste o bem, sabe regozijar-te.

Sim, será este o teu objectivo constante dos teus esforços.

Observa estes conselhos:

Fá-lo com amor; eles poderão conduzir-te às divinas virtudes.

Juro por Aquele que transmitiu à nossa alma o Quaternário sagrado, fonte de eternidade de toda a natureza.

Mas antes de realizares a tua tarefa, terás de pedir aos deuses que te ajudem a completar a obra começada.

Quando fizeres de tudo isso um hábito, saberás os segredos dos deuses imortais tão bem como so dos homens mortais.

Saberás o que une ou separa os seres.

E se o homem atingir o direito de saber, verás que a natureza é a mesma por toda a parte; o teu coração já não se saciará com vãos desejos.

Verás que os males que os homens enfrentam foram exclusiva e livremente escolhidos por eles.

Porque estes desafortunados ignoram a felicidade que se encontra ao lado deles; tapam os ouvidos e fecham os olhos.

Poucos sabem escapar à infelicidade que os espreita.

Empurrados para cá e para lá, a fatalidade cega-lhes de tal modo o espírito que erram por toda a parte como troncos que flutuam, em males infinitos.

Sem que a possam ver, a mortificadora discórdia acompanha-os e leva-os à infelicidade.

Afasta-a de ti, foge dela com horror.

Ó Zeus, Tu, nosso Pai, se tu quisesses, poupá-los-ias dos males que os atormentam, se lhes mostrasses o segredo da sua alma.

Ganha coragem, meu filho, porque a tua raça é divina; a natureza sagrada far-te-á progredir, comunicando-te o fundo de todas as coisas.

Ao mostrar-to, ela permitir-te-á aplicar as lições do que prescrevi; remediarás os males da existência e livrarás a tua alma dos sofrimentos.

Todavia, abstém-te de certos alimentos de que falámos e que é preciso evitar para purificar a alma e para lhe assegurar a sua libertação.

Não faças nada sem razão; confia-lhe as rédeas da tua alma.

E quando finalmente deixares aqui o teu corpo, quando no livre éter voares, liberto para sempre das garras da morte, no seio dos Imortais, tu mesmo serás Deus.

O VINHO MÍSTICO (KHAMRIYA)

Em memória do Bem-Amado
Bebemos o Vinho que nos inebria
Antes mesmo da criação da videira

A taça que o contém
é um disco lunar brilhante
O Vinho, é sol.
Um crescente luminoso,
Um mordomo o serve à roda.
Com que luminosidade resplandece,
Já que no Vinho
Se misturam as estrelas !

Sem o perfume que exala
Um precioso perfume de musque
Eu jamais teria encontrado
o caminho da verdade
que conduz às suas tavernas.
Sem a luz que indica
Sua presença ao longe,
Sua imagem jamais teria
Nascido em meu espírito.

Pois neste século,
Sobrou dele apenas
um ligeiro sopro.
Como se no fundo dos corações
Um pacto secreto
Tivesse encerrado sua lembrança.

Então, apenas na tribo
Seu nome é mencionado,
Pois que uma embriaguez
Toma conta de seu povo.
Embriaguez sem vergonha
E sem pecado.

Por entre os flancos de uma ânfora
Lentamente ele subiu.
E logo, seu nome apenas
Permanece, em verdade,
Para o resgate de sua lembrança.

Tal lembrança
Visita , um dia
O espírito de alguém,
E por isso nesse alguém
A alegria passa a residir,
E a tristeza cela seu cavalo
Para ir-se embora, em longa viagem.

Os convidados descobrem
A tampa que fecha os vasos
Que o contêm.
Só esta visão já basta
Para inebriá-los
Antes mesmo de provar
A bebida.

Este Vinho, o derramamos
Sobre o solo
Onde um morto se enterra :
E tão logo o sopro o reanima
O cadáver e o morto
Levanta-se transbordante de vida.

Não se abandona um doente
Em seu terreno sombrio
Onde crecerá sua videira
Quando o mal tiver partido

O paralítico,
Assim que se aproxima
De suas tavernas,
Volta a caminhar.
Os mudos falam,
Quando se fala
diante deles
da sabor desse Vinho.

Assim que no Oriente
Sopra a brisa
Que traz o seu perfume,
No Ocidente,
Aquele que é privado de sua fragrância
Pode sentí-la
ainda outra vez.

Se, de dentro da taça
Uma gota respinga
Caindo sobre a palma da mão
Daquele que a segura,
Ele jamais se perderá
Caminhando pelas trevas
Pois em sua mão resplandecerá
Uma estrela.

Tal Vinho, é apresentado em segredo
A um cego de nascença :
E no dia seguinte, em plena alvorada
Ele se levanta, tendo recuperado a visão.
Quando se torna claro
o doce murmúrio desse Vinho,
Já logo recupera o ouvido
Aquele que é surdo.

Um tropel de cavaleiros
Ao trotar por sobre a terra
Onde cresce sua videira,
Jamais levaria no casco de seus cavalos
Qualquer resquício verminoso.

Um mago desenhou
Na testa de um possuído
As letras que formam seu nome
O que basta para curá-lo
Tal nome está bordado
No estandarte de um exército,
E todo o que marchar
Na sombra desta bandeira
É conduzido pela embriaguez

Ele educa seus convidados
E por eles, o homem indeciso
Adota o caminho
Das fortes resoluções

Ele sucita a generosidade
Na alma daquele
Cuja mão sempre ignorou doação
Ele ensina a doçura
Àquele que jamais a conheceu
Em seu momento mais colérico.

O mais forte da tribo
Tem o privilégio de beijar
A borda da taça,
Apenas este beijo
Permite-lhe saber
O sentido de suas perfeições

Dizem-me :
Descreva-o para nós,
Já que conheces tão bem
suas qualidades.
Sim, eu o descreverei,
Pois suas qualidades
Conheço-as perfeitamente.

Pureza !
Mas não a da água.
Sutileza !
Mas não a do ar.
Luminosidade !
Mas não a do fogo.
Alma carnal,
Sem corpo de carne.

Suas palavras precederam
Tudo o que existe aqui embaixo,
Quando nesse mundo
Faltavam a forma e a imagem

Por ele constituíram-se
Todas as coisas ;
Em seguida,
Por um certo saber, esconderam-se
Diante dos olhos que não compreendem.

Minha alma amou-o por inteiro.
Eles se misturaram
Para unirem-se
Mas não como uma simples
Mistura de duas matérias

Esse Vinho não foi extraído
De uma Vinha :
Adão é para mim um pai.
Vinha que não dá vinho :
Sua mãe é para mim uma mãe.

A pureza das taças
Contém na verdade
A pureza do sentido secreto
E cujo significado aparece
Através Dele.

A separação veio
Mas o todo é Um.
Nossas almas são o Vinho,
E nossa forma a videira.

Antes dele, não há antes ;
Depois dele, não há depois.
Sua necessária condição
É ser anterior
Ao mais recuado dos tempos.

Seu tempo
Precedeu o limite extremo do tempo.
O tempo de nosso pai
Veio apenas depois do seu.
Nossos pai viveu muito depois dele,
Como um órfão.

Seus admiradores
Celebram seus louvores,
Emocionados por sua beleza
São estes exelentes
Em verso ou mesmo em prosa.
Ao escutar os seus propósitos,
Regozija-se o que jamais ouvira,
Como o amante apaixonado
Pela bela Nou´m,
Assim que se pronuncia diante dele
O nome de sua amada.

Alguns me disseram :
Ao beber esse Vinho,
Cometeste iniquidade !
Isto não é verdade,
Pois iniquidade teria eu cometido
Ao privar-me de bebê-lo !

Que esta bebida
Alegre o coração
Dos habitantes do monastério !
A que embriaguez se abandonaram !
Entretanto não o beberam,
Mas apenas alimentaram
Sua intenção em bebê-lo.

Sua embriaguez, eu a experimentei
Antes de minha puberdade.
Em mim, ela será para sempre,
Mesmo depois de terem os meus ossos
Tornado-se poeira

Tal Vinho, bebe-o puro,
Pois, ao querer misturá-lo
A um outro licor
Que não a saliva do Amado,
Aí cometerás um crime !

Ele te espera nas tavernas,
Descobre o seu esplendor.
Bebe-o ao som de músicas,
Pois com ele, a música
É como uma presente que se oferece

Jamais ele habitou
Onde vive a tristeza.
E jamais a tristeza permaneceu
Na casa onde as canções se fundem

Embriaguez de uma hora !
O tempo se torna teu escravo
Sempre submetido,
Ainda que tua vida se interrompa
no final desta hora.
A ti então, o poder !

Aquele que viveu neste mundo
Sem embriaguez,
É como se não tivesse vivido !
Aquele que não morre
Desta embriaguez
Faltou-lhe a coragem
Neste mundo onde passou.

Que ele chore então por si mesmo,
O homem que abriu mão de seu direito,
Durante a vida inteira,
Direito de beber deste Vinho,
Vinho que rejeitou.


Omar ibn al-Farid
De como as gentes se dividiram por várias partes do mundo e como Túbal, neto de Noé,
veio povoar nosso Reino de Lusitânia e fundou nele a povoação de Setúbal.

Divididos em várias partes do mundo os descendentes de Noé, conforme a primeira divisão que já tocámos, Túbal, filho de Jafet, com a gente de sua família, escolheu por habitação mui acomodada a seu gosto a parte mais ocidental da Europa, para onde se partiu com grande número de gente; e, dando no mar mediterrâneo, se meteu com os de sua companhia em algumas embarcações feitas a modo de galés, descobertas e de menos fábrica que as do tempo de agora, como parece sentir Josefo em suas antiguidades e Xenofonte no livro dos equívocos. Nestas piquenas fustas navegaram ao estreito de Gibaltar, onde, levados das correntes do mar e ímpeto das ondas, saíram, como refere nosso Laimundo, ao mar Oceano, da grandeza e imensidade do qual pouco satisfeitos, como gente que trazia inda nos olhos a cruel destruição das águas, se acolheram à terra, dobrando sempre sobre a mão direita, té que ja no fim de alguns dias, tendo já passada uma grande ponta de terra, chamada dos antigos Promontório Saghrado e dos modernos Cabo de S. Vicente, se acharam em uma fermosa baía, por onde se lança no grande Oceano Ocidental um rio, maior em proveitos de pescarias e navegações que em quantidade de águas.

Vendo Túbal o bom sítio da terra, e os que consigo trazia enfadados de navegação tão larga, determinou fazer naquele lugar seu assento; e, tirando das embarcações o que trazia, deu princípio a uma povoação e modo de República, ordenada com as brandas leis e pouco maliciosos costumes daquele novo mundo, fundando moradas de sua vizinhança de ramos de árvores, cobertas com o feno de campo, sem as soberbas suntuosidades que a malícia dos homens inventou no tempo adiante.

Aqui viveu Túbal alguns anos, com toda a gente de sua companhia, apacentando os gados em que tinham naquele tempo o melhor de sua riqueza, e dele se deu nome à nova povoação que fundara, chamando-lhe Setúbala, que, segundo o Viterbense, tanto significa como ajuntamento de Túbal, e Pompónio Mela a chama Dúbal, usando da muita semelhança e quase uniformidade que sempre tiveram e têm as letras D e T, de que os autores usavam algumas vezes sem nenhuma distinção.


Esta povoação é a que no tempo de agora, com mui piquena alteração do primeiro nome, chamamos Setúval, assaz conhecida no Reino de Portugal e muitos fora dele, pelo grande e seguro porto de mar que tem junto de si e pela cópia de fermosas canterias de jaspe e pórfidos finissimos, donde se levam para diversas partes do mundo.

Desta antiquíssima cidade fez o mestre Florião do Campo uma estendida narração em seu livro primeiro, confessando ser ela a primeira que em Espanha teve nome e figura de República ordenada, sem consentir que Túbal aportasse primeiro em Portugal que em Andaluzia; mas com dizer que desembarcou noutra parte atribue a Castela a glória de mais antiga, e Martim de Viciana, buscando modo para engrandecer sua pátria, trabalha por mostrar que a desembarcação destes primeiros povoadores de Espanha foi no Reino de Valença, cuja história ele compos, cheia de muita doutrina. Depois dos quais achou Garivai outras novas conjecturas, donde conclue que Biscaia foi a primeira região em que Túbal tomou terra e assentou morada. Mas, como tudo o que dizem traz mais fundamento em imaginações e subtilezas inventadas de bom juízo, que em fé e autoridade de livros antigos, não há para que aprovar nem contradizer nenhuma delas. Mas com eles próprios, que ao fim não podem fugir de força e autoridade que tem a tradição antiga, digo que nosso Reino foi o mais antigo na povoação e Setúval o lugar em que primeiro ordenaram modo de vivenda e vezinhança com uma.


Livro Primeiro da Monarchia Lusitana - Frei Bernardo de Brito

Terça-feira, Maio 06, 2008



Sou a Pedra,
Sou o aço,
o imutável,
a Luz incriada!

Sou a vontade inquebrável,
a luz sobre a sombra,

Sou o rouxinol cantando,
a lontra nadando,
o pica pau perfurando
o interior do meu Ser.

Sou a folha caindo
sobre o leito do rio
flutuo p´lo mundo
boiando sem rumo...

Sou o regato do Amor
correndo...
...desaguando no
Abismo do sonho!


Francisco Canelas de Melo

Quarta-feira, Abril 30, 2008

Escada sem corrimão

É um escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.


Os degraus quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do Coração.

Sobe-se numa corrida.
Corre-se p´rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

David Mourão Ferreira

Terça-feira, Março 04, 2008

Nigredo



Ergue-te,
poeta perdido,

Ergue-te,
da profunda
cova escura
onde habitas,
plantado,
onde te enterraste
a ti mesmo,
num momento
de poético suicídio,

Ergue-te,
profundo Poeta,
Ergue-te,

Ergue a tua mão,
Ergue,
Ergue acima de tudo
a tua Sabedoria,

Porque o abismo negro
das trevas
onde tu, poeta,
estiveste mergulhado

foi o maior ensinamento
que tu, Ser de Lux
poderias ter

Na maior treva
resplandece a menor
partícula de Lux

Aí, tu
nas trevas embebido,

oh poeta maldito,
viste a escuridão,
ouviste o silêncio,
sentiste a profunda imensidão,

transmitida
pelo cintilar
da Chama Eterna.


Francisco Canelas de Melo
Olho para o Céu
e vejo a Nau,
uma Nau esculpida de branco
pela forma imensa duma nuvem

olho para o Céu
e vejo um Mar por navegar,
vejo a imensidão do Mundo
esperando por Nós,
pobres e eternos
Argonautas

Espera-nos o profundo Mar
da Eternidade,
a calmaria de suas águas,

Um Mar de Estrelas,
Um Mar sem Fim,

Ergue-te Vela
à bolina deste vento,
desta poeira cósmica
que nos leva,
eternos navegadores,
a Mares
nunca dantes
Navegados,

Que nos levam
ao Infinito Mar
da Sabedoria,
guardada
no abismo
de cada Alma.


Francisco Canelas de Melo
Cavaleiro,
que vagueias pela escuridão
das trevas
em busca
da profunda Luz
que irradia,

ao fundo
aquela
Luz brilhante
que do Céu
ilumina
numa noite escura,

é essa a estrela,
essa estrela de sete pontas
que guia teu caminho

e aí, pobre peregrino
segue,
passo a passo,
respirando profundamente
perante cada obstáculo

e aí, nobre caminhante
encontrarás a Força
vinda de ti,
para superares
para atravessares
para alcançares
a outra margem!

Atravessas
este rio d´esquecimento
onde deixarás
para trás
tudo aquilo,
que ficou
na outra margem!

Hoje, depois de passado
novamente a travessia
encontrarás
novas provas,
novas pedras,
novas tentações,
novas desilusões
que te levarão
a desistir...

Mas que tu, nobre peregrino
empunhando teu cajado
iluminado p´la Strella do Céu
continuarás,
a caminhar,
passo a passo,
rumo à eterna
imensidão...


Francisco Canelas de Melo

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Renascer


Aos Druidas da Lusitânia





Nasce a Lux


a cada dia
renascida das Trevas

Deste inverno

profundo
que isola
a cada instante...

Renasce

a cada dia

Em Oriente

A LUX
que alumia
o coração

A alma de cada Ser



Hoje dia morno
em que nem frio triunfas,
nem calor reinas,

Nasce e brota
dum rebento
um novo Ser,

um novo RenasCer
da Primavera

Tão breve
Tão próxima,

A LUX renasce,
supera as Trevas
e aproxima-se

do seu Triunfo Final...


Francisco Canelas de Melo
Noite escura,
noite profunda
de dor e nostalgia,
que embarcas minh´alma,

escuridão profunda
do meu Ser
que revelas em mim
a loucura
d´um amor perdido

Hoje em trevas embebido
sonho a Luz Renascida

Hoje, spero a Lux
a luz clara

A escuriclaridade profunda
que em meu Ser

Reflecte

A Chama de Minh´Alma!


Francisco Canelas de Melo
Em ti,
Meu Bosque Sagrado,
meu refúgio,

de mil-ventos,
densas pedras,
verdes folhas,

Cai o Homem perdido,
um Homem
a espera de Lutar...


Francisco Canelas de Melo

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

1908 - 2008

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

De Laudes...


(...)

Quando a guerra está iminente, no seu interior preparam-se com a Fé, e no seu exterior com as armas necessárias. Procuram levar cavalos forte e rápidos, porém, não se preocupam com a cor do pêlo, nem com ricos arreios. Pensam no combate, não no luxo; aspiram à vitória, não à glória; desejam ser mais temidos do que admirados; e vão organizados para as batalhas, planeando tudo previamente.
Conforme a expressão dos Santos Macabeus, sabem que poucos valem por muitos, pois Deus dá a vitória independentemente do número de soldados. São monges e soldados, pois usam a mansidão do monge e a fortaleza soldado.

(...)

O ter morrido o inocente pelo culpado, não é justiça, mas bondade, misericórdia e amor pleno.

(...)

São Bernardo de Claraval

Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

Versos de Ouro de Pitágoras

Em primeiro lugar, presta aos Deuses Imortais o culto habitual estabelecido pela Lei.

Respeita o juramento e os nobres heróis. Honra os defuntos e pratica todos os rituais libertadores em sua memória.

Venera o teu pai, a tua mãe e os teus próximos.

Escolhe alguém entre os homens e faz com que o teu amigo seja aquele que há-de brilhar pela sua virtude. Cede aos seus suaves conselhos, inspira-te nele. Nunca lhe queiras mal por qualquer pequeno erro, se fores capaz disso, porque a fatalidade pode por vezes modificar a vontade dos homens.

Fica a saber que é assim. Por isso empenha-te em dominar isto:

Em primeiro lugar o teu apetite, em seguida o teu sono, e depois os vãos desejos dos sentidos e o fogo da cólera.

Nunca faças o mal, com outros ou sozinho.

Acima de tudo, atenta nisto:

Respeita-te a ti mesmo.

Sê justo nos teus actos e nas tuas palavras.

Não inicies nenhuma acção sem ter reflectido.

Lembra-te que a morte é para cada um de nós a lei inexorável.

Quanto aos bens terrenos, sabe ganhá-los ou perdê-los com o mesmo estado de espírito.

E quanto aos males que o destino traz com ele, suporta-os sem gemer pela parte que te toca, tenta suavizar as marcas no que for possível.

Sabe ainda que:

Muitas vezes, os maiores males são afastados dos sábios.

Muitos e variados discursos, vis ou virtuosos, vêm acordar os homens. Não os aceites apressadamente nem os rejeites de modo precipitado.

Se te mentirem, suporta-o com doçura.

Ouve o meu conselho e segue-o sem vacilar:

Que ninguém, pela palavra ou pelos actos, te leve a proceder contra a tua vontade.

Reflecte bem antes de te decidires; é próprio de um louco cometer loucuras, por isso nunca faças nada de que te venhas a arrepender.

Não pretendas fazer aquilo que não sabes.

Aprende sobretudo o que for necessário saber. Se seguires estes conselhos, felizes serão os teus dias.

A saúde exigirá todos os teus cuidados; que o teu corpo tenha o alimento que é preciso, e exercício adequado para não o enfraqueceres. O que quero dizer por adequado é o que não te prejudica.

Vive na simplicidade, modestamente e sem moleza, evita o que te pode rodear de desejos, e não te entregues a gastos loucos, como fazem muitas vezes os ignorantes do belo.

Mas também não caias na temível avareza.

Adopta em todas as coisas a justa medida.

Faz aquilo que não te prejudica e avalia antes de agir.

Sabe que, ao acordares, a coisa urgente é traçar o plano dos teus actos futuros.

À noite, que o sono não te domine antes da tua consciência ter avaliado longamente todos os actos efectuados por ti durante o dia.

Interroga-te: "cometi algum erro? Que fiz eu? Ou então, será que não fiz o que devia ter feito?"

Revê assim os teus actos a partir do primeiro.

Se fizeste o mal, sabe arrepender-te.

Se fizeste o bem, sabe regozijar-te.

Sim, será este o teu objectivo constante dos teus esforços.

Observa estes conselhos:

Fá-lo com amor; eles poderão conduzir-te às divinas virtudes.

Juro por Aquele que transmitiu à nossa alma o Quaternário sagrado, fonte de eternidade de toda a natureza.

Mas antes de realizares a tua tarefa, terás de pedir aos deuses que te ajudem a completar a obra começada.

Quando fizeres de tudo isso um hábito, saberás os segredos dos deuses imortais tão bem como so dos homens mortais.

Saberás o que une ou separa os seres.

E se o homem atingir o direito de saber, verás que a natureza é a mesma por toda a parte; o teu coração já não se saciará com vãos desejos.

Verás que os males que os homens enfrentam foram exclusiva e livremente escolhidos por eles.

Porque estes desafortunados ignoram a felicidade que se encontra ao lado deles; tapam os ouvidos e fecham os olhos.

Poucos sabem escapar à infelicidade que os espreita.

Empurrados para cá e para lá, a fatalidade cega-lhes de tal modo o espírito que erram por toda a parte como troncos que flutuam, em males infinitos.

Sem que a possam ver, a mortificadora discórdia acompanha-os e leva-os à infelicidade.

Afasta-a de ti, foge dela com horror.

Ó Zeus, Tu, nosso Pai, se tu quisesses, poupá-los-ias dos males que os atormentam, se lhes mostrasses o segredo da sua alma.

Ganha coragem, meu filho, porque a tua raça é divina; a natureza sagrada far-te-á progredir, comunicando-te o fundo de todas as coisas.

Ao mostrar-to, ela permitir-te-á aplicar as lições do que prescrevi; remediarás os males da existência e livrarás a tua alma dos sofrimentos.

Todavia, abstém-te de certos alimentos de que falámos e que é preciso evitar para purificar a alma e para lhe assegurar a sua libertação.

Não faças nada sem razão; confia-lhe as rédeas da tua alma.

E quando finalmente deixares aqui o teu corpo, quando no livre éter voares, liberto para sempre das garras da morte, no seio dos Imortais, tu mesmo serás Deus.

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Dois anos de profunda Saudade




"A obra divina, na sua realidade permanente, é o sacerdócio eterno, e a Ordem do Graal é a expressão da Ordem de Melquisedec. Na verdade, a Ordem de Melquisedec mantêm-se, para sempre, permanência e universalidade. É o fim último a alcançar. É invisível e presente. Nela estão ocultos o Graal e a Palavra. Melquisedec é sacerdote e rei..."


Raymond Bernard

Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Hoje sou Fénix renascida,
vivo cada dia
na esperança de um
Amor Divino.

A Chama que embarca meu Ser,
Aquela que aquece o meu rumo
e alumia meus passos...

Esta direccionada
no Caminho da Eternidade.

Hoje, escuridão profunda
dissiparás perante
a claridade de minh´Alma!


Francisco Canelas de Melo

Melodia divina
que me fazes
sonhar com eternidade
que embarca minha Alma
e dirige meus passos
no longo caminhar
que é a Vida
após Vida...

Profunda Melodia
que amarra meu Ser
as asas
d´um Anjo.

Melodia que me fazes voar,
ascender
a Eternidade Divina!


Francisco Canelas de Melo

Terça-feira, Setembro 18, 2007

Paradoxal Matemática

Talvez que um mais um são somente um
pois a união de dois Seres, resulta somente num.

O Amor é assim a maior fórmula matemática,
totalmente paradoxal,
pois a adição de dois Seres, resulta apenas num...

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Ai a morte,
a dor
e a nostalgia,

O respirar da vida
num suspiro de morte

Quem és tu?
- A vida!

Quem sou eu?
- A morte que tira a vida.

Homens caídos,
que se tombem
nesse embrião do mundo.

Ergue-te,
profundo,
da infinita guarida
de minh´alma.

Ergue-te punho
e abraça a
Lux Divina
de minha
Espada!


Francisco Canelas de Melo

Quarta-feira, Setembro 05, 2007




«(...) A Cavalaria deve ser, em primeiro lugar, uma testemunha. Os grandes valores, a realidade, as grandes qualidades da cavalaria estão lá e presentes, mas por outro lado, não chega estarem presentes. É preciso agir, não apenas como exemplo, mas intervir quando é preciso. E isto é extremamente importante.

A Cavalaria, os seus objectivos, não mudam nunca. Revestem-se de novos termos, mas mantêm-se os mesmos. E a grande via, a grande, grande via da Cavalaria, a que contém todas as outras possibilidades, todas as outras regras, foi exprimida uma única vez através de termos muito claros: "Amai-vos uns aos outros". Porque, todas as dificuldades com que nos deparamos são devidas ao facto das pessoas não se amarem umas às outras.

(...)

Os ideais não são relativos a um determinado tempo. São permanentes, eternos, embora compreendidos de forma diferente, captados de forma diferente. Mas, na realidade, são sempre os mesmos ideais, os mesmos grandes princípios. E a partir do momento em que estes grandes princípios sejam aplicados, a Terra tornar-se-á um lugar paradisíaco, um paraíso. (...)»


Pequeno excerto de uma entrevista da revista Lusophia a Raymond Bernard

www.tradition-mystique.net

Terça-feira, Setembro 04, 2007


"Quem viveu a certeza lembra-se dela para sempre,
e esta certeza é transmitida a todos aqueles com
os quais o acordo interior é estabelecido."

O "Velho" da Montanha


"pocas veces se interpone
el destino en el camino
de un sabio"

Sábado, Julho 28, 2007

Que mais a Vida
que o Sonho?

Viver sonhando...
Sonhar vivendo...


Francisco Canelas de Melo
I.

Azul do mar,
Azul do céu,
nocturno,
vente oceânico
de tantos temores,
em ti se encerram
mistérios,
e fados antigos,
de dor,
de amor,

Denso oceano
navegador
onde aportarás
a dor?

Génio marinheiro,
velejador,
em bolinas de sonho,
navegando pelo Mundo
Aquém e Além Dor



II.

Salvé tridente,
mestre marinho,

Senhor dos Mares,
eterno pregador

destes peregrinos
sem dor,

somos navegadores
do destino.



III.

Aporto no cais da Saudade,
e vivo,

Parto,
sinto saudade da saudade
e vivo,

Infeliz por viver
sem Saudade,
com saudade
da Saudade.

Marinheiro de oceanos,
de mares celestiais,
depositário do sonho
de sonhar

És pastor e pescador,
guias teus passos
lançando tuas redes
ao mar,
aos
Mares
de sonhos
de viver
eternamente
Sonhando.


Francisco Canelas de Melo
Oração
sem horas,
em submersas
(H)oras,
entranhas
cuspidas
d´amargura
sujeita
em negro
respirar,

células-mortas,
despidas de vida,
putrefacta,
de tanto viver

profundidade tremenda,
dor sem dor,
dor sem fim,
sem alcance
dum açor

ar rebelde,
carne renascida,
em sopro divino

Luz tranquila
em profunda
noite,
luar disperso
em tamanha
tranquilidade

Vós, carne putrefacta,
Vós, imortal Alma
que clonas em meu Ser,
em meu Viver,
Re-surge
profunda,
intensa,
como vida
após viver.

Francisco Canelas de Melo

Quinta-feira, Julho 26, 2007

Santiago



Santiago, o Apóstolo


Tiago, filho de Zebedeu e Salomé, e o seu irmão, João Evangelista, pescadores do mar da Galileia, foram chamados por Jesus Cristo (Mateus, 4:21). Estes apóstolos, juntamente com Pedro, gozavam de uma especial confiança e relação com Jesus, destacando-se do resto do grupo, testemunhando os momentos importantes (Marcos, 9:2-8). Após a morte de Jesus, Santiago é parte integrante da formação da Igreja Primitiva vindo a pregar não só na Palestina, mas também na Hispânia. Passou seis anos a pregar em Portugal e Espanha. No ano de 44 D.C., 12 anos após a ressurreição de Cristo, regressa à Palestina acompanhado dos seus discípulos Teodoro e Atanásio. Diz a tradição que foram celebrar a Páscoa em Jerusalém. Nesse retorno, Tiago Maior é preso e decapitado por ordem de Herodes Agripa I (Actos 12:1-2). Santiago torna-se, assim, o primeiro apóstolo mártir. Conta-se que, durante o caminho até a sua execução, realiza dois milagres: a conversão e baptismo do guarda que o acompanhava, um fariseu chamado Josías, e a cura de um paralítico.

Diz a lenda que o seu corpo foi atirado às feras. Porém os seus discípulos, Teodoro e Atanásio, transladam o corpo para o local onde ele havia pregado, numa viagem de sete dias, numa barca sem leme nem velas. Esta barca, guiada por um anjo, passa pela costa portuguesa e aporta na ria de Arosa, em Iria Flávia, actualmente conhecida como Padrón. Depois, segue-se a viagem até Liberum Donum, local onde seria sepultado o apóstolo. O transporte fez-se numa carroça puxada por uma junta de bois, que, pela tradição, se dizem bravos. Os animais param três vezes ao longo do percurso. Estranhamente, estas paragens acontecem todas a poucos metros umas das outras. Os discípulos interpretaram que a cada uma delas corresponde uma incumbência especial. Assim, no primeiro local, edificam uma capela; no segundo, uma fonte; e finalmente o terceiro, será o local onde é depositado o corpo e as relíquias de Santiago.

Pensa-se que as peregrinações ao túmulo começaram quase imediatamente, bem como as perseguições ordenadas pelo Imperador Vespesiano, acabando por proibir o culto Jacobeu, o que provoca um esquecimento letárgico.

No ano de 814, Pelaio, um eremita num bosque de Carvalhos próximo de San Félix de Solovio, ao seguir uma revelação que tivera durante o sono, no qual anjos adoravam uma arca, descobriu um túmulo que continha algumas relíquias. Pelaio corre a contar a sua revelação ao Bispo de Iria Flávia, Teodomiro. O bispo dirigiu-se ao bosque sagrado do ermitão, e tentou atingir o estado semelhante ao do eremita, jejuando três dias. Teodomiro, penetrou no bosque e identificou uma capela que continha três campas. Esta foi de imediato associada ao culto Jacobeu, e Teodomiro quis acreditar que se tratava do sepulcro de Santiago e dos seus dois discípulos. Afonso II das Astúrias, foi o primeiro peregrino deste novo ciclo do culto a Santiago.

Sobre este local foi erguida a Catedral de Santiago de Compostela.

De acordo com as tradições associadas à história da reconquista cristã, Santiago teria aparecido, pela primeira vez, miraculosamente, na Batalha de Clavijo, em 844. Montado num cavalo branco, ergue um estandarte da mesma cor com uma cruz vermelha estampada. Percorre o campo de batalha decepando os mouros com a espada que lhe dará nome. Desde então, a designação Matamoros torna-se popular. Comummente existem também referências ao nome.

Entretanto, dá-se a investida muçulmana de Al-Mansour. Este entrou na catedral destruída e deu de beber ao seu cavalo na pia baptismal.

Sancho III de Navarra, no século XI, determina um percurso de peregrinação que se irá manter até aos nossos dias. No final do mesmo século, o rei de Leão, Afonso VI, cria um sistema de assistência aos peregrinos com instalação de abrigos, e incentiva a fundação de ordens militares destinadas a protecção dos peregrinos.

Santiago torna-se numa das três peregrinações da Cristandade, juntamente com Roma e Jerusalém.


As três Faces


Curiosamente, Santiago é representado, iconograficamente, de três maneiras: como Apóstolo, como Peregrino e como Cavaleiro ou Matamoiros.

A primeira não é mais do que a comum representação de todos os apóstolos, como um dos pilares da Igreja. A segunda trata-se da imagem de Santiago, representado com o bordão que sustenta e apoia o peregrino na caminhada, a cabaça – fonte de água e sabedoria – juntamente com a vieira, representação simbólica do apóstolo. Finalmente, na terceira representação, Tiago Maior, é representado montado num cavalo branco, envergando uma veste branca, cor do seu estandarte. Neste, destaca-se a espada em forma de cruz. A sua mão alteia, ainda, uma espada erguida contra os infiéis.


O Culto


A Igreja Romana celebra o dia de Santiago a 25 de Julho, enquanto que, por sua vez, a Igreja Ortodoxa celebra a 30 de Abril e a Igreja Copta a 12 de Abril.

Não deixa de ser um facto curioso, a fundação da nacionalidade lusa estar associada à batalha de Ourique, que decorreu no dia 25 de Julho de 1139. Facto ainda mais interessante é a lenda que lhe é associada. Afonso Henriques foi visitado por um velho homem que o rei já tinha visto em sonhos e que lhe fez uma revelação profética de vitória. Contou-lhe ainda que «sem dúvida Ele pôs sobre vós e sobre a vossa geração os olhos da Sua Misericórdia, até à décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá». O rei deveria ainda, na noite seguinte, sair do acampamento, sozinho, logo que ouvisse a sineta da ermida onde o velho vivia, o que aconteceu. O rei foi surpreendido por um raio de luz que, progressivamente, iluminou tudo em seu redor, e pôde distinguir, aos poucos, o Sinal da Cruz e Jesus Cristo crucificado. O rei, emocionado, ajoelhou-se e ouviu a voz do Senhor que lhe prometeu a vitória naquela e noutras batalhas; por intermédio do rei e dos seus descendentes, Deus fundaria o Seu império, através do qual o Seu Nome seria levado às nações mais estranhas, e que teria para o povo português grandes desígnios e tarefas.

D. Afonso Henriques voltou confiante para o acampamento. No dia seguinte, perante a coragem dos portugueses, os mouros fugiram, sendo perseguidos e completamente dizimados.



Francisco Canelas de Melo


Terça-feira, Junho 19, 2007

É esta vida profunda
que habita em ti,
pobre pessoa,
então nobre Alma.

Em clarear dia,
de emersa noite dormida,
em eira de terra
chovida,
de lágrimas salgadas,
revela-te Alma
tão adormecida.

Francisco Canelas de Melo
Sonho contigo,
Santo Bosque
de silêncio
profundo,
escutando de ti
o mais sensível
respirar
de uma vida em ti.

As memórias
não as perdi,
envoltas em sombra,
em vida submersa,

Tão próximas,
tão vivas,

Esperando por mim,
vivendo em mim,
na esperança divina
de ressuscitar em mim.

Francisco Canelas de Melo
Uma flor
cuja fauna encerra
em plena Saudade
eterna
destes campos
de verde sonho,
desta vil esperança,
Tão tortuosa,
tão profunda
e infinita....

Francisco Canelas de Melo

Sábado, Junho 09, 2007

AO REI DOS POETAS PORTUGUESES

HOMENAGEM

És Rei - a coroa fúlgida

Conquistaste-a na peleja

Da matéria com o espírito:

Venceu este – Quem deseja

Que domine a sombra a Luz?

Bem hajas, que em teus esforços

De dar vista aos cegos d'alma,

Tens levado a crença aos peitos,

Revelado o que é a cruz. …

Pois não tem o lenho erguido

Sobre a eminência do Golgotha

N'um epitaphio uma lei? . . .

Quem a cumpre? – Esse preceito

Que condemna o obscurantismo,

Segue-o acaso alguma grei?

E se alguma o segue, entende-o? . . .

Não entende, não, a fundo;

Que inda a sombra cobre a terra,

Que inda é pouca a luz no mundo.

És rei, és rei cujo nome

Se antevê na eternidade;

Astro na noite dos tempos

Através da longa idade.

No lavor, lavor sagrado,

Aos irmãos dando thesouros,

Fabricaste o próprio sceptro,

Ès rei nos carmes, no plectro,

Que alteias, que divinizas!

Vate egrégio, homem portento;

És monarcha na poesia,

És um deus no pensamento.



António Feliciano de Castilho

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Amo a vida e o desdém...
A eterna ignorância
que me leva a viver,
a amar o mais pérfido ser,
sem o Ser...

Viver a desventura
da noite,
dheburas municipis...

Quase morto
este dia,
em que noite recebo,
às portas do dia...

Francisco Canelas de Melo

Domingo, Maio 06, 2007


Em trono de
Vahalla,
Odin,
Munnin e Huginn,
assentes em seus ombros,
murmurram anseios d´homens,
de eternos lutadores,
esses guerreiros d´Asgard...

Cai valoroso,
pela Espada de Burheinn,
Espadas avermelhadas,
Valquírias carregadoras
de heróis ressuscitados...

Soam sopros de homens
entoados em clamor
deste eterno Lutador!

Gritam Cornos
à partida da Dor!

Homem Renascido
que enfrentas o Temor
destes Heróis Perdidos
Adormecidos pela Dor!

Francisco Canelas de Melo

Na sala dum Trovador,
cantou seu alaúde,
melodias antiquas de dor

Cantigas d´um Amigo,
Bardo embuçado
P´lo mover da vida...

Eras encobertas pelas
Brumas
de um dia...


Francisco Canelas de Melo
in Palácio do Bussaco

Segunda-feira, Março 05, 2007

"O Português traz no sangue todos os defeitos da Raça. Á sua ansia de ambição e glória deve a sua audácia; á sua volubilidade e egoismo- a sua nevrose de aventureiro. Os seus defeitos, são afinal a razão de ser de toda a sua Epopeia!"

in "Mercador de Ilusões" de Francisco Leão 1934
O caminho
A vida,
parceiros
de ser...

De ver
o profundo
Existir

Hoje vivo a vida
morte

Destino a percorrer...
Sorte certa
Em cada qual
de nós,

Homem ou Ser?
Eis a eterna dúvida...

Francisco Canelas de Melo

Domingo, Fevereiro 25, 2007


Quando escrevo
liberto-me
da amarra da vida,
desencarno
e fujo da vida...

Fujo de Mim para ver o Mundo
Fujo de Ti, Amor Profundo
Fujo de Ti, Liberdade perdida
Caminho para ti, incessantemente,
Habitante, para lá do Umbral,

Venço-te matéria,
Quebro as amarras da vida,
Vagueio de Noite
Julgando-me Perdido,
Descobrindo Vida desprendida,
Vida Livre,
Solta do mundo.

Francisco Canelas de Melo

Dão Saltos
Entre Mundos

Visiveis,
Ocultos,

Vagueiam
à sombra,

Perdidos
aos olhos
profundos,

Em verdes passagens,
Estradas pedradas,
Em Caminhos escondidos...

Seres que vivem...
Seres que morrem...

Seres?!
Que somos Nós?...

Francisco Canelas de Melo

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

Caminhar...


O Caminho no caminhar...
...a Lux que ofusca
a plena sabedoria
d´outro local,
mágico,
como o doce luar
matinal...

Sombras claras,
em suave nevoeiro,
quase transparente,

Véu caído,
no seio calmo
dum verdejante lugar,
perdido,

Onde,
Vós,
habitais...

...Seres Perdidos...

Francisco Canelas de Melo

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Homenagem a Raymond -Bernard


Raymond Bernard

1923-2006



"Nada do que é humano vos será estranho."


www.tradition-mystique.net

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Lágrimas salgadas
caídas
em doiradas
ondas,
dumas
dunas
raiadas
d´um sol d´oiro.

Tu, Sebastião
choras
preso
num fado
fatalista,
deprimido
e descrento
dum povo
republicano

Vós, Pátria minha,
ergue-te Saudade
Saudosista
deste Povo
heróico
em crer,
histórico por Ser,
ainda,
em tão
vasto Império.

Francisco Canelas de Melo

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

Alban Arthan


Alban Arthan...

Dia 22 de Dezembro pelas 00:22 ocorrerá o Solstício de Inverno...
Hoje é a noite na longa do ano, o dia mais curto do ano, o eterno balanço da Luz e das Trevas.

Segundo a Tradição, este momento designado por Alban Arthan, tem o profundo significado do renascimento. O novo nascimento da Luz, representado pelo crescer gradual das horas solares, apresenta o Caminhar iluminado de nossos passos...Assim hoje será dia de meditar, jejuar e preparar o "renascimento" que ocorrerá no interior de cada um de Nós...

Fiat Lux
Virei-a,
Luz,
chama
ardente
em negro
céu,
como
uma
strela
cintilante
que nos
guia...

Sete pontos,
Sete destinos
em Sete
vidas...
cumpridas,
ou por
cumprir.
Fazem de nós,
navegadores
de Céus
nunca
dantes
Sonhados.

Francisco Canelas de Melo

Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

À um Amigo, Amigo...!

Um velho
Barbudo,
Bêbado
De eloquência
De Vida
Imensa.
Sorri,
Ri,
Vive
E chora
A Alma
Imersa
Na raiz
Da vida,
Na esperança
Da morte
Que liberta.


Francisco Canelas de Melo

Vi
A chama
Que clama
Em viver
Do brilho
Luzidio
A nascer…

Lareira
do Mundo,
ventre da
Terra,
Sangue
Quente
De pedra,
Rocha,
Do monte
A nascer…

Dizem,
Palavras, vazias,
Cheias de Ar,
Quente,
morno,
e frio
em árido
deserto,
em húmido
Ser
Clemente
Em ver,
Viver,
Uma vida
Incerta,
Indiscreta
Mas certa
De Morrer!

Francisco Canelas de Melo

Vox

Celestial…

Angelical,

Coro
Magnânimo
que cantas
em mim
Requiem
Aeternam

de Vida
de Morte
que clamas
em viver
em mim.

Francisco Canelas de Melo

Sonho as sombras do meu Ser
a Eternidade
plena
criada para
Nós,
Homens,
de carne putrefacta.

Francisco Canelas de Melo

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Esta espada
que arremesso
volteando ao
Alto,
pela Fé,
Esperança,
Caridade...

Pelo Nome
do Senhor,
Venerável Criador
Do céu e da terra...

Pelo Guardião
que me protege
com sua Ala.

Por Vós,
Santa Esperança
da Razão que
me guarda e acompanha...

Ergo-te...

EXCALIBUR



Francisco Canelas de Melo
Este bafo
de dragão,
neblina intensa
cegando o olhar
profundo
de um Ser.

Brumas densas,
na vida do Cavaleiro,
solitário destino,
busca árdua,
que Tu,
só Tu,
Puro Perceval
conseguiste...

Castelo irreal
perdido em névoa.

Guardião do
Graal...

"Ei-lo!"...
...Sangreal...

Francisco Canelas de Melo

À Roger de Lunel

Leio, vivo, recordo
a visão dum passado,
de dor,
sangue,
morte...

Diário d´Escrivel
de Lunel,
Cavaleiro de Consciência,
Cruzado,
Guerreiro de Christo.

Vives,
imortal
no peito,
na Cruz
rubra de sangue,
sangue real...

Relatas a Vida,
a Morte ressucitada
deste pobre
rebanho
tresmalhado
d´Adhémar...

Lutas quase
morto
em busca d´algo...

Redenção,
a Vida que morre
em Morte que nasce...

Francisco Canelas de Melo
Quadro negro
de imensa escuridão,
Trevas profundas
que penetram
minh´Alma...

Visão misteriosa
do Passado
do Futuro
incerto para uns...
traçado para outros...

Fado marcado
pela centelha
de Deus.


Francisco Canelas de Melo

Terça-feira, Novembro 07, 2006

Carta de Fernando Pessoa

Ideologia política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, com pena, pela República. Conservador de estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservadorismo, e absolutamente anti-reaccionário.
Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo mítico, de onde seja abolida toda infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: "Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação".
Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.
Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.
Fernando Pessoa
30 de Março de 1935
retirado do blog "Sobre o tempo que passa"

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Morte que clamas
em Viver
em Existir

Demora constante
de Existir,
de Sentir,
de...
de...

Quase Viver
envolto em
negro manto
de escuridão.

Trevas possuídas,
manifestações diabólicas
só salvas
pela lâmina
de minha espada...

Francisco Canelas de Melo

Quarta-feira, Outubro 18, 2006

Sinto-vos,
Cavaleiro!
Teu roto manto,
ainda imaculado
varendo o chão
empedrado
dum convento,
dum Templo.

Rocha=pedra,
dum cavaleiro
de nove,
em nove...

Em túnel jurado,
Amor, Fé, Esperança,
Viver
pela espada
embainhada.

Em selo marcado,
humilde servo,
cavalo, corcel
partilhado
por nós...

Escudo partido
como a vida
de Homem,
dia e noite,
luz e escuridão.

Três cores,
negro,
vermelho,
branco,
...grandioso Beausant!

Francisco Canelas de Melo

Thomar

Terra-mãe,
verbo vivo
resistente ao Tempo
a nós, Homens,
a vós, humanos,

Mantos que te guardam,
que te guardam?!

Nós, Portugal!
Vós, Porto do Graal...

Francisco Canelas de Melo
Ascendo em ti,
Pai Celestial..
Curvo-me de frio,
de dor, saudade, nostalgia
de Ti, de mim, do
Sanctus Celestialis.

Vivo, sobrevivo,
vivo, morro,
renasço
e digo,

Vida vivida
Vida perdida
Vida por viver
ergo-me da sepultura
e grito:

-Hoje serei LUX!!!

Vivo pela chama
que me ilumina,
candeia florescente
do sentimento doloroso
duma vida monótona.

Cerro-me
em despida cela,
palha no chão
de terra,
Aquece meu seco corpo...

E Vós, doce LUX,
Aqueces minh´Alma,
iluminas meu passos,
cada sentido do meu
Caminho...
Espero-te, Bomfim.

Francisco Canelas de Melo
Cruz de sangue,
cruz de carne
e sofrimento,
cruz de dor
em ombros suportada
por nós,
Homens do Mundo,
cruéis, duros, imortais
que vivem e morrem,
sonham e comem,
na ânsia dum
sopro, quase, divino.

Voz convocatória
do Altíssimo Chamamento

Olhai,
contemplai,
morte por vida,
vida por morte,
esperança renascida
dum grito...
duma...
Nova Vida.

Francisco Canelas de Melo

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Em bela serra me vi,
em sonhos dispersos,
por unir numa vaga lembrança
que urge dentro de mim.

É a vida que quer viver
o existir a querer aparecer,
a luta de uma noite, de uma lua
a vingança de um dia...

Vive oh Mátria minha.
Vive na tão amada serra que me viu
Crescer.

Francisco Canelas de Melo
Sem caneta screvo,
sentado à beira vida,
Encoberto
pela aparente morte que me ilude,

Ilumina-me a vida
em contraste à morte,
permatura vivência a nascer
em dia por saber.

Francisco Canelas de Melo

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Oiço-te,
Ó grandioso Zéfiro,
Em escarpa íngreme
do monstruoso rochedo
engolindo
um céu nebuloso,


Oiço-te,
doce cantar
de um rouxinol
embebido num luar
matinal,

Oiço-te,
Mãe-Natura
Virgem
e Pura,
que clamas
por nós...

Oiço-vos,
Meus Irmãos,

Oiço-nos,
oiço,

Um cair de lágrimas em terra
dum sofrimento ardente,
sufocante e destruidor
das altas labaredas
alimentando nossa dor...

Chorai Irmãos da Mátria-Natura,
lágrimas de Druida,
em rios correrão,
até ao fim
da desventura.

Francisco Canelas de Melo
Páginas brancas
do meu Ser.
Folhas perdidas
passadas pelo tempo,
sonhado, vivido, sofrido
no Caminho
à percorrer...

Francisco Canelas de Melo
Bogalho de carvalho
ovo de serpente,
caído
em húmido chão,
completo de vida
obscura aos olhos,
humanos,
discriminantes
do que
vive na Vida,
Na Mátria-Natura.

Humano e desumano
ventre
desta cultura,
perdida,
esquecida,
envolta
por bruma
dum nevoeiro,
Neblina
renascida
pelas gotas
D´orvalho.

Francisco Canelas de Melo

Sexta-feira, Julho 21, 2006

Desvaneios duma noite quente de verão

Após breve leitura de um pequeno livro de homenagem a Teixeira de Pascoaes pelos escritores da "Tertúlia "Rio de Prata", conheci, (re)vivi longinquamente, sem recordar em consciência, presenciar as sombras do Marão, a mátria-natura do Gêres, panteão de Deus, uma força única vinda do Alto e tão presente no baixo.
Nós ignoramo-lá; pior, marginalizamos a nosso própria essência, renegamos qualquer sinal manifestado, continuando a existir até à putrefacção da carne.
Diz o Espírito de Marânus, que "o homem existe, enquanto devia viver".
Definição precisa; o homem existe enquanto animal, pela sua condição de ser existente, mas logo que se extingue o suspirar, deixa de existir.
Contudo, nunca chegou a viver. Só a Vida tem capacidade de imortalizar o Ser, e não a existência. Já diz Fernando Pessoa:

"(...)
Vive porque a vida dura,
E nada na alma lhe diz